Pequenas empresas já representam a maior parte dos contratos de planos de saúde empresariais no Brasil e vêm puxando a expansão da saúde suplementar no país. De acordo com estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), negócios de menor porte concentram cerca de 88% dos contratos coletivos empresariais, evidenciando a pulverização do acesso nesse segmento. Com isso, as operadoras de planos de saúde que oferecem produtos destinados a este perfil passam a disputar esta significativa fatia de mercado.
O movimento ocorre em um cenário em que os planos coletivos empresariais se consolidaram como principal forma de contratação no país, reunindo cerca de 70% dos beneficiários, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Ainda assim, apenas cerca de um quarto da população brasileira possui plano de saúde – o equivalente a aproximadamente 50 milhões de pessoas – o que indica um amplo espaço para expansão do setor. Ao mesmo tempo, o perfil do mercado de trabalho também contribui para essa transformação. Dados do IBGE mostram que os pequenos negócios representam a grande maioria das empresas brasileiras, com destaque para os microempreendedores individuais (MEIs), que já somam mais de 10 milhões de profissionais no país.
Esse cenário revela um descompasso entre a demanda e o acesso. Pesquisas do setor indicam que a maioria dos brasileiros gostaria de contar com um plano de saúde, mas ainda enfrenta barreiras como custo e modelos de contratação historicamente mais voltados a grandes empresas.
É nesse contexto que surgem modelos mais flexíveis e acessíveis, desenvolvidos especialmente para atender microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e equipes de pequeno porte. Em geral, planos disponíveis para contratação empresarial a partir de duas vidas são estruturados para atender públicos que tradicionalmente enfrentam mais dificuldade para ingressar no sistema privado. A proposta combina custo mais acessível, jornada digital e atendimento humanizado, alinhando-se às novas demandas do mercado.
De acordo com Matheus Santamarina, assessor de negócios do Grupo Unimed Uberlândia, que recentemente lançou a PoPVita, com opções de planos também para pequenas empresas –, o crescimento deste segmento dentro da saúde suplementar é reflexo de uma transformação mais ampla no setor. “O mercado vem passando por mudanças importantes, com maior uso de tecnologia e uma demanda crescente por soluções mais acessíveis. As pequenas empresas têm papel central nesse movimento, e isso exige modelos mais simples, flexíveis e compatíveis com a realidade desses públicos, como é o caso da PopVita”, afirma. Além do aspecto financeiro, a digitalização dos serviços também tem contribuído para essa expansão. “Soluções como telemedicina, agendamento online e acompanhamento digital tornam o acesso mais prático e reduzem a necessidade de deslocamentos, facilitando a rotina de empresas e trabalhadores”, revela Matheus Santamarina.
O novo cenário abre espaço para que mais empresas passem a enxergar o plano de saúde como um investimento possível. Esse movimento já pode ser observado na prática por empresas que passaram a adotar esse tipo de solução. Para Cleiton César, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Triângulo Mineiro (SETTRIM), as pequenas e médias empresas do setor de transporte historicamente enfrentaram dificuldades para oferecer plano de saúde aos colaboradores, principalmente em função dos custos e das exigências dos modelos tradicionais disponíveis no mercado. “O setor de transporte rodoviário de cargas é formado, em sua maioria, por pequenas e médias empresas, muitas delas com estruturas mais enxutas e número reduzido de colaboradores. Historicamente, uma das principais dificuldades sempre foi encontrar planos de saúde compatíveis com a realidade financeira dessas empresas, principalmente em função dos custos elevados e das exigências contratuais do mercado”, afirma.
Recentemente o SETTRIM aderiu à PopVita, que poderá oferecer modalidades de planos mais adequados a cerca de 4 mil empresas do setor de logística do Triângulo Mineiro. Segundo o presidente, durante muitos anos, o benefício esteve distante da realidade de boa parte das transportadoras de pequeno porte e operadores logísticos. “Em muitos casos, estes acabavam ficando sem acesso a esse benefício porque os modelos disponíveis eram voltados para empresas de maior porte. Isso limitava a capacidade dessas empresas de oferecer um diferencial importante para os colaboradores”, destaca.
Para Cleiton César, a chegada de modelos mais acessíveis representa uma mudança importante para o setor, ampliando a possibilidade de inclusão de pequenas empresas na saúde suplementar. “A ampliação do acesso a modelos mais acessíveis de plano de saúde representa um avanço importante para as empresas filiadas ao SETTRIM, especialmente para pequenos e médios transportadores. Isso permite que negócios que antes não conseguiam oferecer esse benefício aos colaboradores passem a enxergar essa possibilidade como algo viável dentro do planejamento da empresa”, ressalta.
O presidente do sindicato avalia ainda que o acesso ao benefício pode contribuir diretamente para a valorização dos profissionais e fortalecimento das empresas. “Na prática, isso contribui para a valorização dos profissionais, melhora o ambiente organizacional e fortalece a retenção de mão de obra em um setor que enfrenta desafios constantes relacionados à contratação e permanência de trabalhadores qualificados”, afirma.
Além do impacto interno nas equipes, Cleiton César destaca que benefícios corporativos passaram a ter peso estratégico dentro da competitividade das empresas. “Oferecer um plano de saúde também fortalece a competitividade das empresas de transporte e logística. Hoje, benefícios corporativos têm um peso importante na gestão das equipes e na sustentabilidade dos negócios”, conclui.
Na prática, a ampliação do acesso passa também por uma mudança de percepção. Se antes o plano de saúde era visto como um benefício restrito a grandes empresas, hoje passa a ser considerado uma ferramenta possível para pequenos negócios, profissionais autônomos e empreendedores individuais. Em um cenário de transformação, a combinação entre acessibilidade, tecnologia e novos formatos de contratação tende a consolidar um novo momento para o setor, em que a saúde suplementar se torna cada vez mais próxima da realidade de diferentes perfis de empresas e trabalhadores.



