Programa educativo da FLIMA – Festa Literária da Mantiqueira homenageia premiado quadrinista Marcelo D’Salete; programação tem mesas literárias e oficinas com Índigo Ayer, nina rizzi, Bel Santos Mayer, Fido Nesti, João Carrascoza, Sirlene Barbosa e outros autores; festival acontece de 3 a 7 de setembro, em Santo Antônio do Pinhal (SP)
Uma festa literária em que as crianças não são convidadas apenas para ouvir histórias, fazer uma oficina enquanto os adultos participam das mesas ou “ter uma programação infantil”. Na Fliminha 2026, elas ocupam outro lugar: o de público central de uma experiência que reúne literatura, quadrinhos, ilustração, memória, formação de leitores e imaginação.
É essa mudança de perspectiva que orienta a programação para as infâncias da Festa Literária da Mantiqueira (FLIMA), que acontece de 3 a 7 de setembro, em Santo Antônio do Pinhal (SP). A escolha de Marcelo D’Salete como homenageado ajuda a contar exatamente que tipo de conversa a Fliminha quer provocar.
Um dos mais importantes quadrinistas brasileiros contemporâneos, D’Salete construiu uma obra marcada pela investigação da memória, da história e das narrativas negras no Brasil. Em livros como Cumbe e Angola Janga, transforma a linguagem dos quadrinhos em ferramenta para recuperar personagens, conflitos e perspectivas que durante muito tempo permaneceram à margem da história oficial.
Levar esse trabalho para uma programação dedicada às infâncias é também uma maneira de afirmar que crianças e adolescentes podem, e devem, ter acesso a narrativas complexas, diversas e capazes de ampliar sua percepção sobre o mundo. “O conceito de Fliminha, vem não do diminutivo da palavra, mas da apropriação das crianças e adolescentes ao considerarem que é uma festa deles e para eles”, afirma Roberto Guimarães, diretor da FLIMA, que foi indicado ao Prêmio Governador do Estado na categoria Incentivo à Leitura pelo trabalho realizado à frente da Fliminha.
A homenagem se conecta diretamente ao tema da FLIMA 2026, PASSADOPRESENTE. A edição parte da ideia de que o passado não ficou para trás: ele continua determinando quais histórias são lembradas, quais vozes são ouvidas e quais futuros conseguimos imaginar. Na Fliminha, essa reflexão ganha uma pergunta especialmente potente: que histórias estamos colocando nas mãos de quem ainda está construindo sua própria ideia de mundo?
Uma programação para quem lê, desenha, pergunta e inventa
A resposta está também na escalação da programação. Ao lado de Marcelo D’Salete, participam Índigo, nina rizzi, Bel Santos Mayer, Zeco Montes, Débora Alves, José Castilho, Fabíola Farias, Isabel Lopes Coelho, Bruno Souza, Fido Nesti, João Carrascoza e Sirlene Barbosa.
São autores, artistas, pesquisadores, educadores, bibliotecários e profissionais ligados ao livro e à leitura que chegam à Serra da Mantiqueira para construir encontros com diferentes públicos e diferentes modos de experimentar a literatura.
A presença de D’Salete e Fido Nesti coloca os quadrinhos em posição de destaque e amplia a conversa sobre o que pode ser uma narrativa literária. A imagem não aparece como complemento da palavra, mas como linguagem capaz de contar histórias, elaborar memórias e produzir pensamento.
Já nomes como Bel Santos Mayer, Fabíola Farias, Isabel Lopes Coelho e José Castilho trazem para o festival uma discussão fundamental sobre acesso ao livro, bibliotecas e formação de leitores, porque falar de literatura para crianças também significa falar sobre as condições necessárias para que elas possam, de fato, se tornar leitoras.
Além de mesas literárias e outras atividades para educadores, haverá muita diversão para crianças e famílias. São oito contações de história e dois espetáculos. O destaque fica com “Noite de brinquedo no terreiro de Yayá”, encantamento poético em forma de musical que encerra a Fliminha no feriado de segunda-feira, 7 de setembro, às 15h.
Não é “programação infantil”, é programação para as infâncias
A diferença pode parecer apenas semântica, mas não é. A Fliminha parte do princípio de que não existe uma única infância, assim como não existe uma única maneira de ler. Crianças chegam aos livros pela palavra, pelo desenho, pela oralidade, pela curiosidade, pelo humor, pela identificação e até pela vontade de discordar.
Por isso, a programação não pretende reduzir a literatura a uma experiência de entretenimento ou criar conteúdos “mais fáceis” para os pequenos. Ao contrário: aposta na inteligência, na curiosidade e na potência criativa de crianças e adolescentes. A ideia é criar um território em que seja possível ler, ouvir, desenhar, conversar, perguntar, discordar e inventar.
O futuro também começa pelas histórias que contamos
A homenagem a Marcelo D’Salete sintetiza essa escolha. Ao revisitar o passado e iluminar histórias que foram apagadas, sua obra mostra que memória também é território de disputa. Para uma festa literária voltada às novas gerações, essa perspectiva ganha outra camada: quem tem acesso a diferentes histórias também tem mais ferramentas para imaginar diferentes futuros.
É por isso que a Fliminha não quer apenas formar leitores. Quer formar leitores curiosos, capazes de reconhecer diferentes vozes, questionar as histórias que recebem e também produzir as próprias narrativas. Durante cinco dias, Santo Antônio do Pinhal se transforma em território de encontro entre livros, imagens, autores e diferentes infâncias.
No fim das contas, a pergunta que fica talvez seja justamente a mais simples: se são as crianças que vão viver o futuro, por que não começar deixando que elas também participem da construção das histórias que vão contá-lo?
A Fliminha, programação infantojuvenil da FLIMA – Festa Literária da Mantiqueira, é uma realização do Ministério da Cultura, da Bizu Estúdio e Editora e da Associação Literatura Viva. Conta com patrocínio, via Lei Rouanet, da Neoenergia, e apoio da Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Pinhal.
INGRESSOS
A programação da FLIMA e na Fliminha 2026 é gratuita, mas para acompanhar as atividades é necessário fazer a retirada antecipada de ingressos. A retirada deve ser feita pelo site oficial do festival, onde também estão disponíveis a programação completa, os horários, os locais das atividades e as orientações para participação. Os ingressos são disponibilizados de acordo com a capacidade de cada espaço e, por isso, a recomendação é que o público faça a retirada com antecedência. Quem não se programou com antecedência não precisa se preocupar: uma cota de ingressos ficará disponível para retirada até duas horas antes de cada atividade. Para conferir a programação e garantir os ingressos, acesse https://flima.net.br/programacao-2026.
SOBRE A FLIMINHA 2026
A FLIMINHA, programação infantojuvenil da FLIMA – Festa Literária da Mantiqueira, é uma realização do Ministério da Cultura, da Bizu Estúdio e Editora e da Associação Literatura Viva. Conta com patrocínio, via Lei Rouanet, da Neoenergia, e apoio da Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Pinhal.
A FLIMA e a FLIMINHA 2026 contam com apoio do Sesc São Paulo e das editoras Editacuja, Ação Editora, Hedra, Edições Sesc São Paulo e Veneta, além de parceria com o Festival MaisGastronomia. O festival conta ainda com apoio de mídia da Rádio CBN São José dos Campos e Vale do Paraíba e do Portal SP Rio+.
SERVIÇO — FLIMA 2026
FLIMA – Festa Literária da Mantiqueira
Quando: 3 a 7 de setembro de 2026
Onde: Santo Antônio do Pinhal (SP)
Informações: flima.net.br



