Especialista alerta para os riscos do diagnóstico tardio e destaca que tratamento precoce pode evitar perdas na visão e sofrimento emocional.
Muita gente ainda acredita que olhos “tortinhos” na infância são algo passageiro ou apenas uma característica estética. Mas o estrabismo, condição marcada pelo desalinhamento dos olhos, pode trazer consequências sérias para a visão e também para a saúde emocional das crianças quando não tratado corretamente.
Segundo a oftalmologista Carolina Magalhães Bianchi, o problema acontece por uma alteração no funcionamento dos músculos oculares ou no controle neurológico responsável pelos movimentos dos olhos. Como a visão ainda está em desenvolvimento durante a infância, qualquer falha nesse processo pode comprometer a formação visual da criança.
“Os pais precisam ficar atentos desde cedo. Muitas vezes o desvio aparece de forma discreta, ocasional, e acaba sendo ignorado. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de recuperação visual completa”, explica Carolina Magalhães Bianchi.
Entre os principais sinais de alerta estão olhos desalinhados, dificuldade para focar, inclinação frequente da cabeça para enxergar melhor e o hábito de fechar um dos olhos, principalmente em ambientes muito claros.
A médica também chama atenção para um dos erros mais comuns entre as famílias: acreditar que apenas o uso do tampão resolve o problema.
“O tampão é importante para tratar a ambliopia, conhecida como olho preguiçoso, mas ele não corrige sozinho todos os casos de estrabismo. Dependendo do grau do desalinhamento, a cirurgia é fundamental para reposicionar os músculos dos olhos e permitir um alinhamento adequado”, destaca Carolina Bianchi.
Quando o tratamento não acontece no tempo certo, a criança pode desenvolver ambliopia, quadro em que o cérebro passa a ignorar a imagem do olho desalinhado para evitar visão dupla. Em alguns casos, isso pode causar perda visual permanente.
A recomendação médica é que a primeira avaliação oftalmológica aconteça ainda no primeiro ano de vida. Isso porque o desenvolvimento visual ocorre principalmente até os 7 ou 8 anos de idade.
Além dos impactos físicos, o estrabismo também pode afetar diretamente a autoestima infantil. Em fase escolar, muitas crianças acabam enfrentando brincadeiras ofensivas, comentários maldosos e dificuldades de socialização.
A administradora Juliana Ferreira conhece essa realidade de perto. O filho, Lucas Ferreira, de seis anos, foi diagnosticado com estrabismo ainda pequeno, mas no início a família acreditava que apenas os óculos resolveriam.
“Quando ele começou na escola, vieram os apelidos e as brincadeiras. Foi muito difícil perceber que aquilo estava mexendo com a confiança dele. Hoje entendo que não era só uma questão estética, mas emocional também”, relata.
Após acompanhamento médico e diversos exames, a família decidiu pela cirurgia corretiva.
“No começo dá medo, porque cirurgia sempre assusta. Mas entendemos que era necessário para o desenvolvimento visual e também para o bem-estar dele. Nossa expectativa agora é que ele cresça mais seguro e feliz”, afirma Juliana.
A cirurgia de estrabismo é considerada segura e eficaz quando realizada com indicação adequada. O procedimento atua nos músculos responsáveis pelos movimentos dos olhos, sem atingir o interior ocular, e nas crianças é feito com anestesia geral.
Para Carolina Magalhães Bianchi, o mais importante é combater a desinformação e incentivar o diagnóstico precoce.
“O estrabismo tem tratamento e, em muitos casos, solução definitiva. O que não pode acontecer é perder o momento ideal de cuidar”, conclui a especialista.



