Cinco coisas que todo empresário deveria saber antes de escolher o nome da empresa

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Escolher o nome de um negócio vai muito além de encontrar uma palavra bonita ou disponível nas redes sociais. Especialista alerta que uma decisão aparentemente simples pode trazer problemas e prejuízos quando a proteção da marca é deixada para depois.

 

Antes de criar a logo, abrir um perfil no Instagram, registrar um domínio ou investir em fachada, cartão de visita e divulgação, todo empresário deveria fazer uma pergunta: esse nome pode realmente ser meu?

 

A escolha do nome de uma empresa costuma ser cercada de expectativa. É o momento em que uma ideia começa a ganhar identidade e passa a representar um negócio. O problema é que muitos empreendedores só pensam na proteção jurídica depois de investir tempo e dinheiro na construção da marca.

 

Para Pauline Ornelas, especializada em propriedade intelectual, e proprietária da Orienta Marcas e Patentes, esse é um dos principais erros cometidos por quem está começando. “É muito comum o empresário se apaixonar por um nome, criar toda uma identidade visual, começar a divulgar e só depois descobrir que aquele nome já pertence a outra marca ou que não pode ser protegido da forma como imaginava. A pesquisa precisa acontecer antes do investimento”, explica.

 

Registrar na Junta Comercial não protege sua marca

 

Ter uma empresa formalizada não significa, automaticamente, ter exclusividade sobre a marca utilizada no mercado.

 

O registro do nome empresarial na Junta Comercial e o registro de uma marca são procedimentos diferentes e têm finalidades distintas. Por isso, ter CNPJ, nome empresarial registrado ou até mesmo utilizar determinado nome há anos não significa necessariamente que o empresário tenha exclusividade sobre aquela marca.

 

 

 

 

“Esse é um dos maiores equívocos. O empresário pensa: ‘Tenho CNPJ, então o nome é meu’. Mas são proteções diferentes. A marca possui uma proteção própria e o registro deve ser buscado junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, o INPI”, afirma Pauline.

 

 

 

 

Razão social, nome fantasia e marca não são a mesma coisa

 

Outra confusão bastante comum está nos próprios documentos da empresa.

 

Razão social, nome fantasia e marca podem até ter o mesmo nome, mas não significam a mesma coisa. A razão social identifica juridicamente a empresa. O nome fantasia é aquele pelo qual o negócio pode ser conhecido pelo público. Já a marca é o sinal que identifica e diferencia produtos ou serviços no mercado e pode ser objeto de registro no INPI.

 

“Entender essa diferença é fundamental porque o empresário pode estar protegido em uma situação e desprotegido em outra. Não basta olhar para o CNPJ e acreditar que está tudo resolvido”, explica Pauline Ornelas.

 

 

 

 

Pesquise antes de se apaixonar pelo nome

 

Aquela ideia de nome que parece perfeita pode já estar sendo utilizada ou registrada por outra empresa.

 

Por isso, antes de criar identidade visual, comprar domínio, produzir embalagens ou investir em divulgação, a recomendação é pesquisar a disponibilidade e a possibilidade de proteção da marca.

 

“Eu sempre digo: pesquise antes de se apaixonar. Porque é muito mais barato descobrir que existe um problema antes de investir do que depois de construir uma marca inteira”, orienta Pauline.

 

A pesquisa também pode ajudar o empreendedor a identificar nomes semelhantes e evitar conflitos futuros.

 

 

 

 

Nome descritivo demais pode não ser uma boa escolha

 

Na tentativa de deixar claro o que a empresa faz, alguns empreendedores escolhem nomes que descrevem diretamente o produto ou serviço oferecido.

 

A estratégia parece simples, mas pode trazer dificuldades quando o objetivo é construir uma marca forte e protegê-la.

 

“Nem sempre o nome mais óbvio é o melhor nome para uma marca. Quando ele é excessivamente descritivo, pode haver limitações para sua proteção. Por isso, a escolha precisa considerar não apenas marketing e criatividade, mas também a possibilidade de registro”, explica.

 

 

 

 

Fale o nome em voz alta

 

A última dica parece simples, mas pode evitar uma escolha ruim.

 

Antes de decidir, o empresário deve falar o nome em voz alta, pedir para outras pessoas repetirem e observar como ele é compreendido.

 

É fácil de pronunciar? É fácil de memorizar? As pessoas entendem corretamente quando ouvem? Pode gerar outra interpretação?

 

“Às vezes, o nome funciona muito bem escrito, mas quando você fala, percebe que as pessoas não entendem, confundem ou pronunciam de outra forma. A marca precisa funcionar na vida real, não apenas no papel”, afirma Pauline.

 

 

 

 

Uma escolha que merece ser pensada antes do investimento

 

Escolher o nome de uma empresa é uma decisão estratégica. Afinal, é em torno dele que o empreendedor vai construir identidade, reputação e relacionamento com os clientes.

 

Por isso, a orientação é simples: antes de se apaixonar pelo nome, é preciso verificar se ele pode ser utilizado e protegido. “O empresário não precisa ter medo de escolher um nome. Ele precisa escolher com informação. Quanto antes essa análise for feita, menor o risco de investir em algo que depois precise ser mudado”, resume Pauline.

 

No fim, a pergunta que todo empreendedor deveria fazer antes de colocar o nome na fachada continua sendo a mais simples: sua empresa tem um nome. Mas esse nome é realmente seu?