O câncer de cabeça e pescoço está entre os tumores mais frequentes no Brasil e reúne diferentes tipos de neoplasias que podem acometer a boca, língua, garganta, laringe, faringe, cavidade nasal e glândulas salivares. Apesar da alta incidência, muitos casos ainda são diagnosticados tardiamente, reduzindo as possibilidades de tratamentos menos agressivos e aumentando o risco de sequelas funcionais.
O Julho Verde, campanha nacional de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, tem justamente o objetivo de alertar a população para os sinais iniciais da doença e incentivar a busca precoce por avaliação médica. Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as chances de cura e de preservação da qualidade de vida.
Além do avanço no diagnóstico, a medicina também evoluiu no tratamento. Em casos criteriosamente selecionados, a cirurgia robótica vem ampliando as possibilidades terapêuticas, permitindo retirar tumores com elevada precisão e menor agressão aos tecidos saudáveis.
O que é o câncer de cabeça e pescoço?
O termo reúne tumores que se desenvolvem principalmente na cavidade oral, língua, gengivas, amígdalas, faringe, laringe, cavidade nasal e outras estruturas da região da cabeça e do pescoço. Também podem ser incluídos alguns casos avançados de câncer de pele que acometem face e pescoço.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), milhares de brasileiros recebem esse diagnóstico todos os anos, sendo que boa parte dos casos poderia ser identificada em fases mais precoces.
O cirurgião de cabeça e pescoço Dr. Daniel Marabuco, do Mater Dei Santa Genoveva, destaca que “o diagnóstico precoce é determinante porque, quanto antes a doença é identificada, maiores são as chances de tratamento curativo, com cirurgias menos extensas, menor necessidade de radioterapia ou quimioterapia e menos sequelas funcionais e estéticas para o paciente”.
Quais sintomas merecem atenção?
Nem toda alteração na boca ou na garganta significa câncer. No entanto, alguns sintomas persistentes precisam ser avaliados por um especialista, especialmente quando permanecem por mais de duas ou três semanas. Os principais sinais de alerta incluem:
– feridas na boca, língua ou gengiva que não cicatrizam;
– rouquidão persistente;
– dor de garganta contínua;
– dificuldade para engolir alimentos (disfagia);
– dificuldade para respirar;
– nódulos (“ínguas”) no pescoço;
– dor de ouvido sem causa aparente, principalmente quando associada a alterações na garganta.
Esses sintomas podem estar relacionados a diversas doenças, mas sua persistência exige investigação para descartar um tumor.
Quem apresenta maior risco?
Historicamente, os principais fatores de risco são o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Quando esses dois hábitos estão associados, o risco de desenvolver câncer de cabeça e pescoço aumenta significativamente, devido ao efeito potencializador entre álcool e tabaco.
Nos últimos anos, porém, um novo perfil de pacientes vem chamando a atenção dos especialistas. Segundo o Dr. Daniel Marabuco, os tumores relacionados ao Papilomavírus Humano (HPV) vêm crescendo, especialmente na região da orofaringe. “Os tumores ligados ao HPV mudaram o perfil da doença. Enquanto aqueles associados ao álcool e ao tabaco costumam acometer pessoas mais idosas, os relacionados ao vírus podem surgir em pacientes mais jovens”, esclarece. Por isso, além de abandonar o cigarro e reduzir o consumo de álcool, a vacinação contra o HPV tornou-se uma importante estratégia de prevenção.
Como a cirurgia robótica mudou o tratamento?
Além da prevenção e do diagnóstico precoce, outro importante avanço no combate ao câncer de cabeça e pescoço é a cirurgia robótica. A tecnologia permite que o cirurgião opere com visão tridimensional ampliada e instrumentos articulados capazes de alcançar regiões profundas da boca e da garganta que, tradicionalmente, exigiam procedimentos muito mais invasivos.
Segundo o cirurgião de cabeça e pescoço Dr. Leonardo Branco Aidar, do Mater Dei Santa Clara, a indicação é feita de maneira individualizada, após criteriosa avaliação do paciente. Dr. Leonardo confirma que “a cirurgia robótica é uma importante evolução no tratamento de pacientes cuidadosamente selecionados com câncer de cabeça e pescoço, especialmente tumores localizados nas amígdalas, base da língua, laringe e hipofaringe”.
Para o cirurgião, entre os principais benefícios da técnica estão:
– acesso a regiões profundas sem incisões externas;
– maior precisão cirúrgica;
– excelente visualização das estruturas anatômicas;
– menor sangramento;
– menor dor pós-operatória;
– redução do tempo de internação;
– recuperação mais rápida.
Em alguns pacientes, a abordagem também pode diminuir a necessidade de tratamentos complementares mais agressivos, desde que isso seja seguro do ponto de vista oncológico.
Preservar a fala e a deglutição também faz parte do tratamento
Hoje, o sucesso do tratamento não é medido apenas pela cura do câncer. Sempre que possível, busca-se preservar funções fundamentais para a qualidade de vida, como falar, respirar e engolir alimentos.
Nesse aspecto, a cirurgia robótica representa um avanço importante. O especialista em cirurgia robótica faz uma afirmação esclarecedora: “o principal objetivo do tratamento oncológico é alcançar a cura com segurança. Entretanto, atualmente também buscamos preservar ao máximo a qualidade de vida do paciente. A cirurgia robótica permite uma abordagem mais precisa, preservando estruturas importantes para funções como fala, deglutição e respiração”.
Por provocar menor manipulação dos tecidos, muitos pacientes conseguem retornar mais rapidamente à alimentação por via oral e às atividades do dia a dia. Além disso, quando indicada adequadamente, a técnica pode reduzir a necessidade de traqueostomia e de sondas alimentares permanentes, favorecendo uma reabilitação funcional mais rápida.
Julho Verde reforça que informação também salva vidas
Embora os avanços tecnológicos tenham transformado o tratamento do câncer de cabeça e pescoço, a principal ferramenta para aumentar as chances de cura continua sendo o diagnóstico precoce.
Reconhecer sintomas persistentes, evitar fatores de risco, manter a vacinação contra o HPV em dia e procurar avaliação especializada diante de qualquer alteração são atitudes que podem reduzir o impacto da doença e permitir tratamentos menos agressivos.
A campanha Julho Verde reforça justamente essa mensagem: informação, prevenção e acesso precoce ao cuidado especializado continuam sendo os maiores aliados da saúde.



