O mês de Abril é marcado por uma causa que vai muito além da visão: o cuidado com a autonomia, a qualidade de vida e o bem-estar emocional. A campanha Abril Marrom chama a atenção para o combate e a reabilitação das diversas formas de cegueira — muitas delas evitáveis ou passíveis de controle, quando diagnosticadas precocemente.
De acordo com a oftalmologista do Mater Dei em Uberlândia, Dra. Leticia de Freitas, o impacto da perda visual não se limita ao aspecto físico. Ele atinge, de forma profunda, a vida emocional dos pacientes.
O impacto invisível da perda da visão
Receber um diagnóstico que pode levar à cegueira costuma ser um momento delicado e, muitas vezes, desafiador. “É comum observar reações como medo do futuro, ansiedade, negação e até sintomas depressivos. A visão está diretamente ligada à autonomia, identidade e qualidade de vida, então o paciente frequentemente sente que está ‘perdendo independência’”, explica a médica.
Esse processo pode se assemelhar a um luto. Não apenas pela possibilidade de perder a visão, mas pela necessidade de ressignificar a própria rotina e a forma de viver.
Nesse contexto, o papel da oftalmologia se amplia. “A oftalmologia pode, e deve, ir além do tratamento físico. Isso inclui comunicação clara e empática no momento do diagnóstico, encaminhamento precoce para apoio psicológico, quando necessário, orientação sobre recursos de reabilitação visual e estímulo à autonomia e adaptação”, destaca Dra. Leticia.
Segundo ela, quando o paciente compreende que ainda há caminhos possíveis, o impacto emocional tende a ser significativamente reduzido.
Reabilitação precoce: um cuidado que começa cedo
Um dos principais equívocos em relação à saúde ocular é acreditar que a reabilitação visual deve começar apenas quando a perda de visão já está avançada. Na prática, o ideal é exatamente o oposto.
“A reabilitação visual deve começar o mais precocemente possível, idealmente já nos primeiros sinais de comprometimento funcional, e não apenas após perda significativa da visão”, orienta a oftalmologista.
Essa abordagem antecipada traz benefícios importantes:
* Facilita a adaptação progressiva às limitações visuais;
* Preserva a autonomia por mais tempo;
* Reduz o impacto psicológico;
* Permite melhor aproveitamento da visão residual.
“Esperar a perda avançada muitas vezes torna o processo mais difícil, tanto do ponto de vista funcional quanto emocional. A reabilitação não é um ‘último recurso’, mas parte integrante do cuidado oftalmológico”, reforça.
Prevenção: pequenas atitudes, grandes impactos
Apesar dos avanços da medicina e do acesso à informação, atitudes simples ainda são negligenciadas no dia a dia, mas podem fazer toda a diferença na prevenção da cegueira.
Entre os principais cuidados, a médica destaca:
* Consultas oftalmológicas regulares, mesmo sem sintomas;
* Controle adequado de doenças como diabetes e hipertensão;
* Uso de óculos de sol com proteção UV;
* Evitar automedicação, especialmente com colírios;
* Pausas durante o uso prolongado de telas (regra do 20-20-20);
* Atenção a sinais como visão embaçada, dificuldade para enxergar à noite ou perda de campo visual.
A regra do 20-20-20 sugere que, a cada 20 minutos de uso de telas, deve-se fazer uma pausa de 20 segundos olhando para um objeto a 20 pés (cerca de 6 metros) de distância. Isso relaxa o músculo ciliar, reduzindo o cansaço, ressecamento e dores de cabeça
“A prevenção da cegueira muitas vezes está em atitudes simples, acessíveis e contínuas — mas que dependem de conscientização e mudança de hábito”, ressalta.
Um olhar ampliado sobre o cuidado
O Abril Marrom convida a população a enxergar a saúde ocular de forma mais completa. Mais do que tratar doenças, é preciso acolher, orientar e promover qualidade de vida.
Com atuação nas áreas de catarata, retina e vítreo, a Dra. Letícia Pinheiro de Freitas reforça que informação e acompanhamento especializado são aliados fundamentais para preservar a visão — e tudo o que ela representa.



