Temperaturas mais baixas favorecem acidentes dentro de casa. Geriatra da Clínica Haya Abdalla, Ludmila Carrara, orienta sobre os principais fatores de risco e explica como medidas simples podem evitar internações e preservar a independência na terceira idade.
As baixas temperaturas que atingem o Triângulo Mineiro neste inverno acendem um alerta para um grupo que merece atenção especial: os idosos. Durante essa época do ano, aumentam os casos de quedas dentro de casa, uma das principais causas de hospitalização, fraturas e perda da autonomia na terceira idade.
O Brasil possui cerca de 36 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, segundo o IBGE. Estimativas da Organização Mundial da Saúde apontam que aproximadamente 28% dos idosos sofrem pelo menos uma queda por ano, o que representa milhões de acidentes anuais. Um estudo do ELSI-Brasil, referência nacional sobre envelhecimento, mostrou que um em cada quatro idosos brasileiros residentes em áreas urbanas relatou ter sofrido queda nos últimos 12 meses.
Segundo a geriatra Ludmila Miguel Carrara Habib, da Clínica Haya Abdalla, em Uberlândia, o frio interfere diretamente na mobilidade e no equilíbrio. “Durante o inverno, é comum que os idosos reduzam a movimentação, permaneçam mais tempo sentados e apresentem maior rigidez muscular. Somado a isso, temos pisos frios, roupas mais pesadas e ambientes pouco iluminados, fatores que aumentam o risco de quedas.”
A médica destaca que o problema não deve ser tratado como algo natural do envelhecimento. “Uma queda nunca é apenas um acidente. Muitas vezes, ela revela perda de força muscular, alterações no equilíbrio, problemas de visão ou efeitos de medicamentos. O ideal é investigar a causa antes que ocorra uma fratura ou uma internação.”
Dados que chamam atenção
- O Brasil possui cerca de 36 milhões de idosos (IBGE).
- 28% dos idosos sofrem ao menos uma queda por ano (OMS).
- 25% dos idosos urbanos brasileiros relataram quedas no último ano (ELSI-Brasil).
O que aumenta o risco de quedas no inverno
- Tapetes soltos.
- Pisos molhados ou escorregadios.
- Iluminação insuficiente.
- Chinelos sem aderência.
- Levantar-se rapidamente da cama ou da poltrona.
- Permanecer muitos dias sem atividade física.
Como prevenir acidentes dentro de casa
- Usar calçados fechados e antiderrapantes.
- Retirar ou fixar tapetes.
- Instalar barras de apoio no banheiro.
- Manter corredores e quartos bem iluminados.
- Praticar atividade física regularmente.
- Fazer acompanhamento médico periódico.
Para a especialista, pequenas adaptações podem evitar consequências graves. “Quando falamos em prevenção de quedas, estamos falando em preservar autonomia, independência e qualidade de vida. Envelhecer não significa perder segurança, mas aprender a cuidar da saúde com antecedência,” ressalta Ludmila Carrara.



