Novos exames e pesquisas tentam identificar a doença cada vez mais cedo, mas especialista reforça que hábitos adotados ao longo da vida também são importantes para a saúde do cérebro
Esquecer onde colocou a chave, entrar em um cômodo e não lembrar o que foi buscar ou demorar para lembrar o nome de alguém são situações comuns. Mas quando o esquecimento começa a interferir na rotina, merece atenção. A boa notícia é que a ciência está avançando para identificar o Alzheimer cada vez mais cedo, enquanto a medicina já conhece caminhos que podem ajudar a preservar a saúde do cérebro ao longo da vida.
Uma das novidades é o PrevenTRON, estudo internacional que está investigando se um medicamento experimental pode retardar o desenvolvimento do Alzheimer em pessoas que ainda não apresentam sintomas, mas possuem alterações biológicas associadas à doença. A pesquisa envolve cerca de 1.600 participantes e representa uma mudança importante na forma de pensar a doença: agir antes que o declínio cognitivo apareça.
No Brasil, outra novidade é a chegada dos exames de sangue que identificam biomarcadores relacionados ao Alzheimer, como a proteína p-tau217. Eles podem auxiliar a investigação médica em pacientes com alterações cognitivas, mas ainda não substituem a avaliação clínica e não são indicados como um simples teste de rastreamento para toda a população.
Para a geriatra Ludmila Miguel Carrara Habib, da Clínica Haya Abdalla, os avanços são importantes, mas não devem fazer as pessoas acreditarem que cuidar da memória começa somente quando surge algum esquecimento. “Estamos avançando muito na possibilidade de identificar alterações relacionadas ao Alzheimer antes dos sintomas. Mas não precisamos esperar a ciência chegar ao diagnóstico precoce para começar a cuidar do cérebro. A longevidade saudável é construída muito antes.”
O cérebro também envelhece. E pode envelhecer bem
O envelhecimento é o principal fator de risco para as demências. No Brasil, estima-se que cerca de 1,8 milhão de pessoas tenham algum tipo de demência, número que pode chegar a 6,7 milhões até 2050, caso as projeções se confirmem. Minas Gerais acompanha o envelhecimento acelerado da população e já reúne mais de 3,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais.
Para Ludmila Carrara, esses números reforçam a necessidade de mudar a maneira como encaramos o envelhecimento. “Envelhecer não precisa ser sinônimo de perder autonomia. Precisamos falar mais sobre como chegar à velhice com saúde física, emocional, cognitiva e social. O cuidado com o cérebro faz parte desse processo.”
A médica destaca alguns hábitos que podem fazer diferença ao longo da vida:
Movimente o corpo – Atividade física regular está entre as principais estratégias para proteger a saúde cardiovascular e cerebral.
Cuide do sono – Dormir bem é importante para memória, atenção, humor e funcionamento do cérebro.
Controle pressão, diabetes e colesterol – O que faz mal ao coração também pode prejudicar o cérebro. Manter esses fatores sob controle é parte importante da prevenção.
Alimente-se bem – Uma alimentação equilibrada, com predominância de alimentos naturais, contribui para a saúde metabólica e cerebral.
Mantenha relações sociais – Conversar, conviver, participar de atividades e manter vínculos também são formas de estimular o cérebro.
Continue aprendendo – Ler, estudar, aprender uma habilidade nova, tocar um instrumento ou se desafiar intelectualmente ajuda a manter o cérebro ativo.
“Não existe uma receita para garantir que uma pessoa nunca terá Alzheimer. O que existe é a possibilidade de reduzir riscos e construir uma reserva de saúde. E isso envolve escolhas que fazemos todos os dias, muitas vezes décadas antes de chegar à velhice”, explica a geriatra.
Quando o esquecimento merece investigação?
Ludmila Carrara alerta que nem todo esquecimento significa Alzheimer. O sinal de atenção é a mudança persistente no funcionamento habitual da pessoa.
Esquecer ocasionalmente pode fazer parte da vida. Já repetir frequentemente as mesmas perguntas, perder-se em lugares conhecidos, apresentar dificuldade para realizar tarefas que sempre fez ou deixar de administrar atividades do cotidiano podem indicar a necessidade de uma avaliação médica.
“O mais importante é observar a mudança. Se a pessoa sempre foi organizada e começa a esquecer compromissos, se perde em lugares conhecidos ou tem dificuldade para lidar com tarefas que antes realizava normalmente, é hora de investigar. Quanto mais cedo entendemos o que está acontecendo, melhor podemos cuidar.”
Neste Setembro Lilás, a mensagem, segundo Ludmila Carrara, não deve ser apenas sobre medo da doença, mas sobre qualidade de vida e autonomia. “Falar de Alzheimer também é falar de como queremos envelhecer. A pergunta não deveria ser apenas ‘como evitar a doença?’, mas ‘o que posso fazer hoje para chegar à velhice com mais saúde, autonomia e qualidade de vida?’.”
Sobre a Clínica Haya Abdalla
A Clínica Haya Abdalla reúne atendimento especializado em geriatria, cardiologia, psiquiatria e endocrinologia, com uma proposta de cuidado individualizado e atenção às diferentes necessidades de saúde de cada paciente. Inaugurada em março de 2026, a clínica fica no Jardim Karaíba e é liderada pela Dra. Ludmila Carrara, unindo tradição médica familiar e escuta atenta ao paciente. Endereço: Rua Rafael Marino Neto, 600 (no complexo do UMC – Uberlândia Medical Center), Sala 103, 1º andar – Jardim Karaíba, Uberlândia – MG.Telefone/WhatsApp: (34) 99681-2100.



