Uma técnica conhecida há décadas na medicina humana começa a ganhar espaço também na rotina veterinária: a hipnose. Utilizada no controle da dor, redução da ansiedade e até como apoio em procedimentos clínicos, a prática vem sendo aplicada como ferramenta complementar no atendimento de animais.
Na medicina veterinária, o método é descrito na literatura por termos como imobilidade tônica e catalepsia, estados neurológicos que permitem maior relaxamento e redução da resposta ao estresse. Na prática, isso significa que, em algumas situações, é possível realizar exames e pequenos procedimentos com menos necessidade de contenção física ou sedação química.
A técnica tem sido utilizada em atendimentos clínicos, coleta de sangue, exames de imagem e até em intervenções simples, como retirada de pontos e biópsias aspirativas. Em determinados casos, pode auxiliar também em procedimentos odontológicos de caráter preventivo.
Além do aspecto técnico, um dos principais impactos observados está no comportamento dos animais. O ambiente clínico costuma gerar medo e ansiedade, fatores que podem desencadear reações agressivas ou dificultar o manejo. Com a hipnose, há redução desses estímulos e melhora na interação entre profissional e paciente.
“A hipnose auxilia na diminuição da ansiedade e da sensação de risco que o animal percebe ao entrar em uma clínica. Isso melhora a resposta ao atendimento e permite uma abordagem mais tranquila”, explica a médica veterinária Dra. Aline Coelho.
Apesar dos avanços, a técnica ainda enfrenta resistência em alguns setores, principalmente por envolver procedimentos sem o uso de anestesia em determinadas situações. Segundo a especialista, o entendimento sobre o método ainda está em construção.
“Na medicina humana, a sedação hipnótica já é reconhecida e utilizada. Na veterinária, ainda é um processo de adaptação e compreensão. É importante reforçar que existe critério, indicação e limite para cada caso”, afirma.
A hipnose não substitui protocolos anestésicos em procedimentos mais complexos, mas pode ser uma alternativa em casos específicos, especialmente em animais que apresentam restrições clínicas, como idosos, epilépticos ou cardiopatas.
Ao longo de mais de 15 anos utilizando a técnica, a profissional relata atendimentos em que o método foi decisivo para viabilizar tratamentos. “Já conseguimos atender animais que não podiam ser submetidos à anestesia e que estavam com dor ou infecção. Com a hipnose, foi possível realizar o cuidado necessário e melhorar a qualidade de vida desses pacientes”, diz.
A tendência é que o uso da técnica avance à medida que mais estudos e experiências clínicas sejam compartilhados, ampliando as possibilidades de cuidado e bem-estar animal.



