Especialista explica que desalinhamento ocular pode surgir ou reaparecer na vida adulta e que tratamento melhora visão e autoestima.
Embora muitas pessoas associem o estrabismo apenas à infância, o problema também afeta adultos e, em muitos casos, permanece sem tratamento por anos. O desalinhamento dos olhos pode ter diferentes causas e provocar impactos que vão além da aparência, afetando a visão, o bem-estar emocional e a qualidade de vida.
A oftalmologista Carolina Magalhães Brilhante, referência no Norte e Nordeste no tratamento do estrabismo e com mais de 2 mil olhos operados ao longo da carreira, explica que ainda existe um mito de que o tratamento só deve ser feito na infância. Segundo ela, essa ideia faz com que muitos pacientes adiem a busca por ajuda médica, acreditando que na fase adulta já não há mais solução para o problema.
“Muitas pessoas cresceram acreditando que, depois de adultas, não existe mais o que fazer em relação ao estrabismo. Mas isso não é verdade. Hoje existem tratamentos eficazes para pacientes adultos, inclusive cirurgias que podem melhorar o alinhamento dos olhos e trazer benefícios importantes para a vida do paciente”, afirma Carolina Bianchi.
Segundo a oftalmologista Carolina Bianchi, o estrabismo acontece quando os olhos não estão alinhados corretamente e apontam para direções diferentes. Em adultos, a condição pode ser resultado de um problema que já existia desde a infância, mas também pode surgir ao longo da vida por fatores como traumas, doenças neurológicas ou alterações musculares.
Além da alteração estética, o desalinhamento ocular pode provocar sintomas como visão dupla, dores de cabeça, fadiga visual e dificuldade de concentração em atividades que exigem foco visual.
“Muitas pessoas chegam ao consultório relatando que evitam olhar diretamente para os outros ou que se sentem desconfortáveis em situações sociais. O impacto emocional costuma ser muito significativo”, explica a médica.
O tratamento depende da causa e do tipo de estrabismo. Em alguns casos, o problema pode ser controlado com o uso de óculos ou prismas. Quando o desvio é mais acentuado ou causa sintomas persistentes, a cirurgia pode ser indicada para reposicionar os músculos responsáveis pelos movimentos dos olhos e restabelecer o alinhamento ocular.
A professora de educação infantil Juliana Mendes, de 34 anos, convive com o estrabismo desde criança e conta que durante muito tempo acreditou que não havia solução para o problema.
“Eu cresci ouvindo que depois de adulta não tinha mais como corrigir. Então acabei me acostumando, mas sempre tive vergonha de tirar fotos ou olhar diretamente para as pessoas”, relata.
Recentemente, após buscar avaliação médica, ela descobriu que a cirurgia ainda pode ser realizada. Agora, está se organizando para fazer o procedimento.
“Estou me programando para fazer a cirurgia até o final deste semestre. É algo que sempre quis resolver e que acredito que vai melhorar muito minha autoestima”, afirma.
Para a oftalmologista Carolina Magalhães Bianchi, casos como esse são comuns e mostram a importância de ampliar a informação sobre o tema.
“Muitos adultos convivem com o estrabismo sem saber que existe tratamento. Procurar avaliação com um especialista é o primeiro passo para entender o caso e identificar as possibilidades de correção”, orienta Carolina Bianchi.
Instagram: @carolinaoftalmologia




