Bruxismo cresce com a rotina estressante e pode causar dores de cabeça e desgaste nos dentes

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O ritmo acelerado da vida moderna, marcado por excesso de estímulos, pressão no trabalho e uso constante de telas, tem refletido diretamente na saúde das pessoas, inclusive na saúde bucal. Estudos indicam que o bruxismo do sono pode afetar cerca de 8% a 13% da população, enquanto o bruxismo em vigília – caracterizado pelo apertamento dos dentes durante o dia – pode atingir até 20% a 30% das pessoas.

O distúrbio é caracterizado pelo apertamento ou ranger involuntário dos dentes, podendo ocorrer durante o sono ou ao longo do dia. Especialistas explicam que o bruxismo é considerado um problema multifatorial, podendo estar associado a fatores emocionais, neurológicos e também a alterações do sono.

Especialistas alertam que o problema vai muito além de um simples hábito noturno. O bruxismo pode provocar dores de cabeça, desgaste dentário e alterações na articulação da mandíbula, além de impactar a qualidade do sono.

De acordo com o cirurgião-dentista Leandro Salomão Alvarenga, da Hapvida em Uberlândia, o aumento dos níveis de estresse na sociedade pode contribuir para o agravamento do problema.

“O bruxismo pode ter relação com fatores emocionais como estresse, ansiedade e tensão. Situações de sobrecarga emocional podem levar ao aumento da atividade muscular da mandíbula, especialmente durante o sono. É como se o corpo encontrasse uma forma de descarregar essa tensão acumulada por meio do apertamento dos dentes”, explica.

Sinais que muitas vezes passam despercebidos
Como o bruxismo costuma ocorrer durante o sono, muitas pessoas não percebem que têm o distúrbio. Em muitos casos, o diagnóstico acontece apenas após o surgimento de sintomas ou durante consultas odontológicas de rotina.

Segundo o especialista, alguns sinais podem indicar que algo não está bem. “Dor ou cansaço na mandíbula ao acordar, dores de cabeça frequentes, sensibilidade dentária e estalos ao abrir a boca podem ser sinais de bruxismo. Muitas vezes o alerta vem de quem divide o quarto e percebe o barulho do ranger dos dentes durante a noite”, afirma.

Além do desconforto imediato, o problema pode trazer consequências importantes quando não é tratado. “O apertamento constante pode provocar desgaste progressivo do esmalte dentário, deixando os dentes mais curtos e sensíveis. Em casos mais avançados, também pode causar dores musculares e alterações na articulação temporomandibular, conhecida como ATM.”

Estilo de vida moderno favorece o problema
A rotina intensa e o excesso de estímulos digitais têm impacto direto na qualidade do sono e no equilíbrio emocional, fatores que também podem influenciar o surgimento do bruxismo.

“Hoje vivemos em um contexto de muita sobrecarga mental, excesso de informações e uso constante de dispositivos eletrônicos. Esse cenário pode aumentar a tensão muscular e prejudicar o descanso noturno, o que pode favorecer o aparecimento ou agravamento do bruxismo”, destaca o dentista.

Em alguns casos, o problema pode estar associado ainda a outros distúrbios do sono. “O bruxismo também pode estar relacionado a condições como a apneia obstrutiva do sono. Quando a pessoa apresenta pausas na respiração durante o sono, o organismo pode reagir com microdespertares e contrações musculares, o que pode desencadear episódios de apertamento dos dentes.”

Crianças também podem ter bruxismo
Embora seja mais associado aos adultos, o bruxismo também pode ocorrer na infância. Estudos indicam que o problema pode aparecer em diferentes fases do desenvolvimento infantil e, muitas vezes, está relacionado a fatores emocionais ou respiratórios.

“Crianças também podem apresentar bruxismo, muitas vezes relacionado a estresse, ansiedade ou até problemas respiratórios, como respiração bucal. Quando os pais percebem o ranger frequente dos dentes ou desgaste dentário, é importante procurar avaliação profissional”, orienta o dentista.

Tratamento exige abordagem integrada
O tratamento do bruxismo depende da intensidade do problema e dos fatores envolvidos. Em muitos casos, a utilização de placas interoclusais é indicada para proteger os dentes durante o sono. “As placas de bruxismo ajudam a proteger os dentes contra o desgaste e reduzir a sobrecarga muscular, embora não eliminem completamente a atividade muscular associada ao bruxismo. Por isso, também é importante identificar e tratar os fatores associados, como estresse, ansiedade ou distúrbios do sono”, explica.

Mudanças no estilo de vida também podem contribuir para o controle do problema. “Melhorar a qualidade do sono, reduzir o consumo de cafeína à noite, evitar o uso excessivo de telas antes de dormir e buscar estratégias para controlar o estresse podem fazer diferença significativa. Em muitos casos, o controle do bruxismo envolve uma abordagem integrada entre odontologia, saúde mental e medicina do sono.”

Para o dentista, o principal alerta é que o bruxismo não deve ser ignorado. “Muitas pessoas encaram o ranger dos dentes como algo sem importância, mas ele pode ser um sinal de que o corpo está sob níveis elevados de tensão. Identificar e tratar o problema precocemente é fundamental para evitar complicações e preservar a saúde bucal e a qualidade de vida”, conclui.