Com Selic em patamar elevado, setor registra alta de 17,5% em Minas Gerais; especialista aponta modalidade como estratégia de planejamento e proteção patrimonial
Em um cenário econômico marcado pela manutenção da taxa Selic em patamares elevados, que encarece o crédito tradicional, o consórcio tem se firmado como uma alternativa estratégica para consumidores que buscam adquirir bens de alto valor ou proteger seu patrimônio. Em Minas Gerais, essa tendência é confirmada por dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), que apontam um crescimento de 17,5% no número de participantes ativos em 2024, saltando de 1,03 milhão em 2023 para 1,18 milhão.
Para Patrícia Barreto, analista sênior de crédito do Grupo Fractal, a taxa de juros a 15% ao ano foi um fator decisivo para essa mudança de comportamento, levando mais pessoas a considerarem a modalidade. “Apesar do patamar elevado da taxa Selic, que naturalmente encarece o crédito tradicional, o consórcio vem se destacando como uma alternativa mais econômica e estratégica para o consumidor”, afirma. Segundo ela, o crescimento expressivo no número de participantes reflete a busca por opções que não comprometam o orçamento com os custos de um financiamento convencional.
A principal vantagem da modalidade está na sua estrutura de custos. Diferente dos financiamentos, o consórcio não possui juros embutidos nas parcelas. “Enquanto financiamentos com taxas de juros embarcadas se tornaram menos atrativos, o consórcio se consolidou como uma opção de planejamento financeiro de médio a longo prazo, sem cobrança de juros — apenas com taxa de administração, que tende a ser significativamente menor”, explica Patrícia.
Disciplina financeira
Além de ser uma ferramenta de compra planejada, o consórcio ganhou força como um instrumento de investimento e disciplina financeira. A versatilidade do produto permite que ele seja utilizado para diversos objetivos, desde a aquisição de imóveis e veículos até a alavancagem de negócios. “Muitos consumidores passaram a utilizá-lo como forma de guardar dinheiro com disciplina, visando uma aquisição futura, seja de imóvel, automóvel, serviços ou até mesmo para fins comerciais. Essa versatilidade também impulsionou sua popularidade”, destaca.
Patrícia destaca ainda que o cenário econômico atual reposicionou o consórcio no mercado, transformando um obstáculo ao crédito em uma oportunidade para o planejamento. “Em um ambiente de juros altos, o que é uma barreira para o crédito, torna-se um impulso para o consórcio. Ele não apenas evita o endividamento imediato, como também oferece maior previsibilidade e controle financeiro ao participante, sendo uma solução mais econômica e menos comprometedora para o orçamento”, finaliza.