Sentir o coração acelerar, bater fora do ritmo ou apresentar palpitações ocasionais nem sempre significa um problema grave. Entretanto, quando essas alterações persistem ou surgem acompanhadas de sintomas como dor no peito, falta de ar e cansaço extremo, podem indicar uma arritmia cardíaca potencialmente perigosa. Reconhecer os sinais de alerta e procurar atendimento médico no momento adequado são atitudes fundamentais para evitar complicações.
As arritmias cardíacas são alterações na frequência ou no ritmo dos batimentos do coração. Podem provocar aceleração, desaceleração ou irregularidade dos batimentos e apresentar diferentes níveis de gravidade. Enquanto algumas são benignas e exigem apenas acompanhamento, outras comprometem a circulação sanguínea e podem colocar a vida em risco.
Segundo o Dr. Marcos Gonçalves, coordenador das UTIs do Mater Dei Santa Genoveva e supervisor da residência de medicina intensiva, a duração das palpitações e a presença de sintomas associados são aspectos importantes na avaliação inicial.
“Palpitações eventuais, especialmente relacionadas a atividades físicas mais intensas, podem não representar um problema grave. O sinal de alerta aparece quando a alteração persiste por muito tempo ou vem acompanhada de dor no peito, falta de ar, cansaço extremo e sensação de batimentos irregulares. Nessas situações, é fundamental buscar avaliação médica”, explica.
Atendimento rápido e estrutura especializada fazem a diferença
Quando um paciente chega ao hospital com suspeita de arritmia grave, a primeira preocupação da equipe médica é avaliar suas condições clínicas e identificar possíveis sinais de instabilidade.
Pressão arterial, oxigenação, frequência cardíaca e nível de consciência estão entre os parâmetros que orientam as decisões iniciais. Pacientes estáveis geralmente permitem uma investigação mais detalhada antes da definição do tratamento. Já aqueles que apresentam queda importante da pressão arterial, baixa oxigenação ou comprometimento circulatório podem necessitar de intervenção imediata.
Em determinadas situações, a equipe pode recorrer à cardioversão elétrica, procedimento utilizado para restabelecer o ritmo cardíaco adequado em arritmias específicas. Para o Dr. Marcos, a disponibilidade de profissionais especializados e de uma estrutura preparada para emergências cardiovasculares é decisiva nesses momentos.
“Um paciente que chega com pressão arterial e oxigenação normais, consciente e conversando, geralmente permite uma avaliação mais tranquila. Mas, quando há queda da pressão, baixa oxigenação e frequência cardíaca muito elevada, pode ser necessária uma intervenção emergencial, inclusive cardioversão elétrica. Por isso, contar com cardiologista disponível 24 horas e uma UTI cardiológica capaz de oferecer suporte à emergência, a qualquer hora do dia ou da noite, é fundamental”, destaca.
Essa estrutura permite integrar avaliação clínica, monitoramento e intervenções necessárias ao atendimento de pacientes com alterações cardíacas potencialmente graves.
Quem apresenta maior risco de desenvolver arritmias?
Embora possam ocorrer em pessoas sem doenças cardíacas conhecidas, as arritmias exigem atenção especial quando existem condições clínicas ou hábitos que aumentam o risco de complicações.
Entre os fatores destacados pelo especialista estão o excesso de peso, a hipertensão arterial sem controle adequado e o histórico familiar de morte súbita. O uso de drogas ilícitas e de hormônios sem indicação ou acompanhamento médico também merece atenção. Pacientes que utilizam marca-passo ou outros dispositivos cardíacos implantáveis precisam manter acompanhamento regular, considerando as condições que motivaram a indicação desses dispositivos.
“Pessoas com histórico familiar de morte súbita, hipertensão não controlada, excesso de peso ou que utilizam drogas ilícitas e hormônios de forma recreativa merecem atenção especial. Pacientes portadores de marca-passo e outros dispositivos cardíacos também precisam de monitoramento mais próximo. O acompanhamento cardiológico é importante para identificar alterações e reduzir o risco de complicações”, orienta o cardiologista.
Prevenção e acompanhamento cardiológico
Nem todas as arritmias provocam sintomas perceptíveis. Algumas são identificadas durante consultas de rotina ou exames solicitados por outros motivos. Por isso, a avaliação cardiológica ganha importância especialmente entre pessoas que apresentam fatores de risco, doenças cardiovasculares ou histórico familiar relevante.
O acompanhamento médico permite investigar alterações do ritmo cardíaco, avaliar a necessidade de exames complementares e definir condutas individualizadas. O controle da pressão arterial, a prática de atividades físicas adequadas às condições de saúde e a orientação sobre o uso de medicamentos e hormônios também fazem parte dos cuidados preventivos.
Em situações de palpitações persistentes acompanhadas de dor no peito, falta de ar intensa, desmaio ou mal-estar importante, a recomendação é procurar atendimento de emergência imediatamente.
Mais do que identificar alterações nos batimentos, o cuidado com as arritmias envolve reconhecer riscos, agir no momento certo e garantir acesso a uma assistência especializada. Uma combinação que pode ser determinante para preservar a saúde e a vida dos pacientes.



