Saúde mental de professores: quando o cansaço deixa de ser passageiro

Sobrecarga e jornadas prolongadas favorecem o esgotamento profissional; psiquiatra alerta para sinais de burnout e destaca a importância do acompanhamento psicológico

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Saúde mental

A sobrecarga de trabalho, as exigências emocionais e a dificuldade de conciliar a vida profissional e pessoal têm colocado a saúde mental dos professores em evidência. O aumento dos afastamentos por transtornos como ansiedade, depressão e síndrome de Burnout revela um cenário preocupante. Dados do Ministério da Previdência Social ajudam a dimensionar esse quadro. Em 2025, o Brasil registrou mais de 65 mil afastamentos de professores da rede pública por problemas de saúde mental. Um levantamento realizado pela Fiocruz também indica que sete em cada dez docentes apresentam sinais de ansiedade ou depressão.

Entre os profissionais da educação, o esgotamento pode se desenvolver gradualmente e ser confundido com o cansaço habitual da profissão. De acordo com o psiquiatra da Hapvida, Livio Rodrigues Leal, a rotina docente reúne fatores que aumentam a vulnerabilidade ao Burnout, como jornadas extensas, turmas numerosas, tarefas administrativas, exposição à violência e falta de apoio institucional. “Os professores desempenham um papel social estratégico, porém, inserido em um cenário marcado por elevadas exigências emocionais, sobrecarga de trabalho e múltiplas responsabilidades”, explica.

Quando o trabalho não termina ao sair da escola

Corrigir provas, planejar aulas e responder a mensagens de pais e gestores são atividades que frequentemente prolongam a jornada dos professores. Com o uso de ferramentas digitais, as demandas podem continuar mesmo durante os períodos de descanso. “Seria importante, após a saída da sala de aula, que o professor pudesse ter uma pausa, para ‘descarregar’ e descansar. No entanto, o que vemos é que o trabalho de professor não acaba após sair da escola”, observa o psiquiatra.

A disponibilidade constante dificulta a desconexão e pode contribuir para a ansiedade. Entre as recomendações do especialista estão estabelecer horários para responder às mensagens profissionais e preservar momentos de descanso e lazer. “Sem um ‘off’ claro, o cérebro nunca sai do modo alerta”, alerta.

Sinais de alerta não devem ser ignorados

O Burnout vai além de um período de cansaço. A síndrome pode se manifestar por esgotamento emocional, perda de satisfação com a profissão, distanciamento afetivo, irritabilidade e sensação de redução da própria capacidade profissional.

Também podem ocorrer dificuldades de concentração, alterações do sono e do apetite, dores musculares, enxaquecas, palpitações e problemas gastrointestinais.

“Em geral, o desenvolvimento do Burnout é silencioso, vai ocorrendo progressivamente, mas trata-se de algo mais grave, intenso e diferente do que um simples ‘cansaço’ e está intimamente relacionado ao ambiente e à rotina de trabalho”, afirma Livio.

O médico ressalta que esses sintomas também podem estar associados a outros transtornos, como ansiedade e depressão. Por isso, a avaliação profissional é importante para identificar as causas e definir o cuidado adequado.

Pedir ajuda não é sinal de fraqueza

O receio do julgamento e a ideia de que é preciso suportar todas as dificuldades podem atrasar a busca por atendimento. Segundo o especialista, minimizar os primeiros sinais de esgotamento pode agravar o sofrimento e comprometer a vida pessoal e profissional. “O maior erro que muitos professores cometem ao tentar lidar com o estresse sozinhos é negar ou minimizar os sinais iniciais de esgotamento, acreditando que a exaustão emocional é apenas uma fase passageira ou uma ‘fraqueza pessoal’”, afirma.

A prevenção envolve medidas individuais e institucionais. Fazer pequenas pausas, praticar atividade física, compartilhar dificuldades com colegas e estabelecer limites entre trabalho e vida pessoal são estratégias que podem contribuir para o bem-estar. A escola também tem papel fundamental no acolhimento dos profissionais, na melhoria das condições de trabalho e no enfrentamento da violência.

Atendimento on-line amplia possibilidades de cuidado

Para professores com rotinas intensas, a dificuldade de conciliar horários e o deslocamento até um consultório podem ser obstáculos à continuidade do tratamento. Nesse contexto, o atendimento on-line pode facilitar o acesso à assistência psicológica, desde que seja adequado às necessidades do paciente.

Na avaliação do especialista, a modalidade a distância pode oferecer praticidade e favorecer a continuidade das sessões. A indicação, porém, depende de cada caso, e algumas situações exigem atendimento presencial.

A Hapvida conta com o Programa de Telemonitoramento em Saúde Mental e o programa FicarBem, iniciativas de acompanhamento a distância que integram profissionais de diferentes áreas, conforme os critérios de cada programa. O acompanhamento pode ocorrer por até 90 dias para públicos específicos, incluindo funcionários afastados por questões de saúde mental e pacientes após alta hospitalar ou atendimento de urgência. Os beneficiários podem consultar os canais oficiais da empresa para verificar os serviços disponíveis e as condições de acesso.

Para o psiquiatra, enfrentar o Burnout exige apoio e não deve ser uma responsabilidade exclusiva do professor. “O professor não precisa escolher entre cuidar de si e cuidar dos alunos. Ele precisa cuidar de si para continuar cuidando dos alunos, e a escola inteira ganha com isso”, conclui Livio Rodrigues Leal.

Sobre o grupo Hapvida

Com mais de 80 anos de experiência, o Grupo Hapvida é hoje o maior ecossistema de saúde da América Latina. A companhia possui mais de 75 mil colaboradores e atende quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia espalhados pelas cinco regiões do Brasil.

Todo o aparato foi construído a partir de uma visão voltada ao cuidado completo, com mais de 800 unidades espalhadas pelo Brasil, incluindo 84 hospitais, prontos atendimentos, clínicas médicas, centros de diagnóstico e coleta laboratorial, além de espaços especificamente voltados ao cuidado preventivo e crônico.

Dessa combinação de negócios, apoiada em qualidade médica e inovação, resulta uma empresa com os melhores recursos humanos e tecnológicos para os seus clientes.