Esquecer nomes, compromissos ou objetos faz parte da rotina de qualquer pessoa. Com o envelhecimento, essas falhas podem se tornar mais frequentes, e isso nem sempre significa doença. No entanto, quando o esquecimento começa a interferir na autonomia e no comportamento do idoso, é fundamental investigar.
Fevereiro Roxo, a campanha de conscientização sobre doenças neurológicas como o Alzheimer, reforça a importância da atenção aos sinais iniciais e do cuidado integral ao idoso, envolvendo família, equipe médica e acompanhamento contínuo.
“Nem todo esquecimento é patológico. O que precisa ser avaliado é o impacto dessas falhas na vida diária e na autonomia do paciente”, explica o Dr. Tiago Ferolla, geriatra do Hospital Mater Dei Santa Genoveva.
Esquecimento no envelhecimento: o que é esperado?
Com o passar dos anos, o cérebro pode funcionar de forma um pouco mais lenta, assim como o corpo. Esse processo faz parte do envelhecimento saudável e não deve gerar alarme, quando não compromete a rotina.
É comum, por exemplo, que o idoso:
* Demore mais para lembrar nomes ou palavras;
* Esqueça onde colocou algum objeto, mas consiga encontrar depois;
* Precise de mais tempo para aprender algo novo.
Essas situações, quando não interferem no dia a dia, são consideradas normais e não indicam, isoladamente, um quadro de demência.
Quando o esquecimento merece investigação médica?
O sinal de alerta surge, segundo o geriatra, quando as falhas de memória passam a interferir nas atividades habituais e na independência do idoso. Algumas situações merecem atenção especial:
* Repetir a mesma pergunta várias vezes no mesmo dia;
* Esquecer compromissos importantes, mesmo com lembretes;
* Perder-se em locais conhecidos;
* Errar contas simples ou tarefas que sempre realizou bem;
* Ter dificuldade para organizar ideias ou tomar decisões simples.
Para o médico, mais importante do que esquecer é perder a autonomia.
“Quando o idoso passa a depender de outras pessoas por causa da memória, da confusão mental ou da desorganização, é o momento certo de buscar avaliação especializada”, alerta.
Alzheimer: o que costuma aparecer primeiro?
É comum acreditar que o Alzheimer começa apenas com falhas de memória. No entanto, os primeiros sinais nem sempre são cognitivos.
Segundo o Dr. Tiago Ferolla, mudanças de comportamento costumam ser percebidas antes, como:
* Irritabilidade ou impaciência fora do habitual;
* Desinteresse por atividades que antes davam prazer;
* Isolamento social;
* Apatia, tristeza ou ansiedade sem causa aparente;
* Maior rigidez de pensamento e dificuldade para lidar com mudanças.
Essas alterações acontecem porque a doença afeta áreas do cérebro relacionadas às emoções, ao comportamento e à tomada de decisões.
Por que muitas famílias demoram a buscar ajuda?
O atraso na procura por avaliação médica é comum e acontece por diferentes motivos:
* As mudanças são atribuídas apenas à idade;
* Existe medo ou insegurança em confirmar que algo não vai bem;
* A família passa a ajudar cada vez mais, compensando as dificuldades do idoso sem perceber.
Com isso, os sinais ficam “camuflados” no cotidiano, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do acompanhamento adequado.
A atitude simples que mais faz diferença no cuidado ao idoso
A principal orientação do geriatra é: observar e registrar as mudanças do dia a dia. Mais do que focar apenas na memória, é importante olhar para o funcionamento global do idoso.
A família pode ajudar muito quando:
* Observa o desempenho nas atividades diárias;
* Adota situações concretas de dificuldade;
* Compara o idoso com ele mesmo no passado, e não com outras pessoas.
Um comentário simples, por exemplo, faz muita diferença: “ele sempre cuidou das contas da casa, mas nos últimos meses começou a errar pagamentos e esquecer datas.”
Essas informações são valiosas para o médico compreender a evolução do quadro e orientar o cuidado de forma segura, personalizada e humana.
Esquecimentos frequentes: fique atento aos sinais
Percebeu mudanças de memória ou comportamento em um familiar idoso? Procure uma avaliação especializada no Hospital Mater Dei Santa Genoveva.
Cuidar hoje é garantir mais qualidade de vida amanhã. No Fevereiro Roxo, o alerta é claro: observar, acolher e buscar orientação médica precocemente.



