Aos 26 anos, em plena faculdade de Medicina e com planos para o futuro, um jovem recebeu um diagnóstico que mudaria sua rotina em poucos meses: câncer de testículo. Após orquiectomia e três ciclos de quimioterapia, a resposta ao tratamento foi significativa, mas permaneceram linfonodos retroperitoneais residuais. A próxima etapa será uma linfadenectomia retroperitoneal robótica no Hospital Mater Dei Santa Clara.
O procedimento reúne dois aspectos fundamentais para esse paciente: controle oncológico e atenção à qualidade de vida futura. A cirurgia será conduzida pela equipe de Cirurgia Robótica do hospital, com participação do urologista Eliezer Narciso.
Por que retirar os linfonodos após a quimioterapia?
O paciente foi diagnosticado com tumor testicular de células germinativas não seminomatoso e passou inicialmente pela retirada do testículo afetado. Em seguida, realizou três ciclos de quimioterapia com BEP. Os exames posteriores mostraram redução importante das lesões, mas a resposta foi parcial. Permaneceram linfonodos retroperitoneais residuais, o que levou à indicação cirúrgica.
De acordo com o urologista Eliezer Narciso, o objetivo é retirar o tecido residual que pode ainda abrigar células tumorais. “A linfadenectomia é justamente para eliminar esses linfonodos que estão comprometidos”, explica.
Em casos de tumores germinativos não seminomatosos, a análise do material retirado também tem papel importante na definição dos próximos passos do acompanhamento.
Cirurgia exige precisão, próxima a grandes estruturas
A linfadenectomia retroperitoneal envolve uma região anatômica complexa, próxima a grandes vasos sanguíneos e estruturas nervosas. Após a quimioterapia, alterações nos tecidos podem tornar a dissecção ainda mais delicada.
Nesse cenário, a plataforma robótica oferece ao cirurgião visão ampliada do campo operatório e movimentos precisos dos instrumentos. Esses recursos podem auxiliar na identificação e preservação de estruturas durante casos cuidadosamente selecionados para a abordagem minimamente invasiva.
Para Eliezer Narciso, essa precisão ganha importância especial em um paciente jovem. “O objetivo de preservar a atividade sexual é importante e considerável”, afirma.
A preocupação não se limita à ereção. Os nervos localizados no retroperitônio participam de mecanismos relacionados à ejaculação, razão pela qual estratégias de preservação nervosa podem integrar o planejamento cirúrgico quando oncologicamente adequadas.
Aos 25 anos, uma mudança inesperada de caminho
Para o paciente, o tratamento começou em março, quando uma ultrassonografia revelou a doença. “Demorei a assimilar e receber isso para a minha vida. Até o momento em que vi minha noiva e precisei contar para ela e para os meus pais”, relata.
Estudante de Medicina, ele precisou trocar temporariamente a posição de futuro médico pela de paciente. Passou pelo centro cirúrgico, quimioterapia, internações e precisou desacelerar estudos e projetos.
Depois dos três ciclos de quimioterapia, acreditava que retomaria a rotina. A tomografia realizada em agosto, porém, mostrou a necessidade de uma nova cirurgia. “Fiquei muito abalado com a notícia. Meu oncologista já tinha me informado sobre essa possibilidade, todavia eu criei a expectativa de que não precisaria”, conta.
A indicação da cirurgia robótica e as conversas com a equipe trouxeram mais segurança para enfrentar a nova etapa. Para ele, confiança nos profissionais, apoio familiar e fé têm sido essenciais durante o tratamento.
A experiência que também transforma o futuro médico
A doença provocou ainda outra mudança: alterou a maneira como o estudante enxerga a profissão que escolheu. “Estar no hospital como paciente foi a primeira vez. Conheci o centro cirúrgico como paciente, conheci a enfermaria, conheci a UTI”, afirma.
A experiência, segundo ele, trouxe uma percepção que pretende levar para sua futura prática médica: por trás do diagnóstico existe uma pessoa que também precisa ser ouvida e acolhida. “Essa enfermidade me mostrou o que realmente importa nas nossas vidas. Temos que dar valor às pessoas que nos amam, viver a vida com gratidão”, resume.
No Hospital Mater Dei Santa Clara, a linfadenectomia retroperitoneal robótica representa, neste caso, mais uma etapa de uma jornada que combina tratamento oncológico, tecnologia, precisão cirúrgica e cuidado centrado no paciente.



