Formigamento, dormência, sensação de choque ou dor nas mãos podem parecer apenas consequências de uma rotina intensa. Quando esses sintomas se tornam frequentes, porém, principalmente à noite ou durante atividades cotidianas, podem indicar a Síndrome do Túnel do Carpo, uma condição causada pela compressão do nervo mediano na região do punho.
A doença merece atenção porque, sem tratamento adequado, a compressão prolongada pode comprometer a sensibilidade e a força da mão. Além disso, pessoas com diabetes apresentam maior risco de desenvolver a síndrome, o que reforça a importância do acompanhamento médico.
Formigamento frequente é sinal de alerta
Segundo o Dr. Luiz Fernando de Freitas, ortopedista e traumatologista, especialista em cirurgia da mão, ombro e cotovelo e em microcirurgia reparadora do Mater Dei Santa Genoveva, os sintomas costumam atingir principalmente o polegar, o indicador, o dedo médio e parte do anelar. “Os sintomas mais comuns são formigamento, dormência, sensação de choques, queimação e dor”, explica.
Em muitos casos, as manifestações ficam mais intensas durante a noite e podem até acordar o paciente. Também podem aparecer ou piorar ao dirigir, usar o celular ou realizar atividades que exigem movimentos repetitivos das mãos.
Quando o desconforto passa a ser frequente ou persistente, interfere no sono, no trabalho ou nas atividades do dia a dia, é importante procurar avaliação médica. A perda de força, a dificuldade para segurar objetos e realizar movimentos de precisão também são sinais de alerta. Em quadros mais avançados, a compressão prolongada pode levar à perda permanente de sensibilidade e à atrofia da musculatura da mão.
Nem todo caso precisa de cirurgia
O diagnóstico e a avaliação individualizada são fundamentais para definir o tratamento. Nem todas as pessoas com Síndrome do Túnel do Carpo precisam passar por cirurgia.
De acordo com o Dr. Luiz Fernando, o procedimento cirúrgico é considerado principalmente quando existe uma compressão mais importante do nervo, quando os sintomas persistem apesar do tratamento conservador ou quando já existem sinais de comprometimento neurológico, como perda de força e alterações significativas identificadas no exame físico ou na eletroneuromiografia.
O objetivo da cirurgia é liberar o nervo mediano. Para isso, o ligamento que forma o teto do túnel do carpo é aberto, aumentando o espaço disponível para o nervo. A liberação pode ser realizada por diferentes técnicas, incluindo a cirurgia convencional e abordagens minimamente invasivas ou endoscópicas. A escolha depende das características de cada paciente, como intensidade e duração dos sintomas, grau de compressão, alterações motoras ou sensitivas, doenças associadas, cirurgias anteriores e experiência do cirurgião.
“O mais importante é fazer um diagnóstico adequado e individualizar o tratamento. Quando a cirurgia é indicada, o diagnóstico e o tratamento em tempo adequado podem evitar que uma lesão mais avançada do nervo se torne permanente”, destaca o médico.
Diabetes aumenta a vulnerabilidade dos nervos
A relação entre diabetes e Síndrome do Túnel do Carpo merece atenção. O Dr. Joel Heitor Filho, endocrinologista e metabologista do Mater Dei Santa Genoveva, esclarece que pessoas com diabetes apresentam maior risco de desenvolver a condição, principalmente em razão das alterações provocadas pela hiperglicemia crônica.
O diabetes pode favorecer alterações nos nervos, nos pequenos vasos que os irrigam e nos tecidos que os envolvem. Com isso, o nervo mediano pode ficar mais vulnerável à compressão dentro do túnel do carpo.
Por esse motivo, o controle adequado do diabetes é parte importante da prevenção de complicações neurológicas. O acompanhamento deve incluir o controle glicêmico individualizado e a avaliação periódica da função dos nervos.
“Não se deve considerar todo formigamento como neuropatia diabética”, alerta o endocrinologista. Sintomas que aparecem de forma localizada, assimétrica ou relacionados à posição do punho podem indicar uma neuropatia compressiva, como a Síndrome do Túnel do Carpo.
Atenção também aos sintomas nas mãos
No paciente com diabetes, a observação dos sintomas ajuda a diferenciar alterações neurológicas, relacionadas à doença, de uma possível compressão nervosa. Formigamento ou dormência predominantes nas mãos, especialmente no polegar, indicador e dedo médio, sintomas noturnos, sensação de choque ou queimação, perda de força e dificuldade para segurar objetos são manifestações que merecem investigação.
A avaliação médica também é importante porque a neuropatia diabética periférica costuma afetar principalmente os pés e pode ser inicialmente assintomática. Por isso, o rastreamento periódico não deve ocorrer apenas quando surgem sintomas. Além do controle da glicemia, manter acompanhamento regular, praticar atividade física de forma adequada e controlar fatores de risco cardiovasculares e metabólicos contribui para reduzir a possibilidade de complicações relacionadas ao diabetes.
Informação ajuda a preservar a saúde das mãos
Dor ou formigamento nas mãos que se repetem não devem ser automaticamente atribuídos ao excesso de trabalho, ao uso do celular ou ao diabetes. Identificar a origem do sintoma é o primeiro passo para definir o tratamento mais adequado.
Com diagnóstico precoce e acompanhamento individualizado, é possível tratar a Síndrome do Túnel do Carpo, de acordo com a gravidade do quadro, e reduzir o risco de comprometimento permanente do nervo.
No Mater Dei Santa Genoveva, a atuação integrada de especialistas permite avaliar diferentes fatores relacionados à condição e definir a melhor estratégia de cuidado para cada paciente. Formigamento ou dormência frequentes nas mãos merecem atenção. Procure avaliação médica para identificar a causa e iniciar o cuidado adequado.



