20 anos, projetos em nove países e €30 milhões: como uma empresa do interior de Portugal fez do Brasil sua base para conquistar o mundo

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Tiago Monteiro, CEO da LUZA / Divulgação

 

Fundada em 2006 em Oliveira de Azeméis, a LUZA Group completa 20 anos em 28 de outubro como multinacional de engenharia e tecnologia. A data chega com a aquisição da consultoria portuguesa de tecnologia Syffer, a presença no ranking Exame Negócios em Expansão 2026 e um ecossistema próprio que acompanha o cliente da formação de talentos à entrega do projeto.

Em 28 de outubro de 2026, a LUZA Group completa 20 anos com números que a colocam num grupo restrito de multinacionais de origem portuguesa: cerca de 1.200 colaboradores, mais de 1.000 profissionais alocados em projetos de clientes, mais de 100 clientes ativos e faturamento acima de €30 milhões em 2025. Fundada em Oliveira de Azeméis, cidade do interior de Portugal, como PTC Group, a empresa tem hoje presença societária em sete países, atua em projetos em nove e mantém escritórios próprios no Brasil, em Portugal e no México. Desde que chegou ao país, em 2012, o Brasil se tornou a maior operação do grupo. “Começamos numa cidade do interior de Portugal em 2006. Vinte anos depois, a maior parte da nossa engenharia e da nossa tecnologia acontece do outro lado do Atlântico”, afirma Tiago Monteiro, fundador e CEO.

O aniversário chega num momento de expansão. Em 2026, a LUZA ficou em 19º lugar na faixa de R$ 150 milhões a R$ 300 milhões do ranking Exame Negócios em Expansão (NEEX), na categoria Serviços. Segundo o ranking, a operação sediada em Contagem (MG) faturou R$ 151,3 milhões em 2025, alta de 19,2% sobre os R$ 126,8 milhões de 2024. No mesmo ciclo, o grupo concluiu a aquisição da Syffer, consultoria portuguesa especializada em tecnologia, inovação e talento, que passou a integrar a estrutura da LUZA e amplia a oferta em tecnologia da informação. “A Syffer acelera um movimento que já estava em curso. A LUZA de hoje é tão tecnologia quanto engenharia. Os clientes nos chamam para projetar a peça, a linha de produção e, cada vez mais, o software e os dados que fazem tudo isso funcionar”, diz Monteiro.

A LUZA oferece às grandes empresas uma solução para ampliar sua capacidade de execução em engenharia e tecnologia. A atuação se dá em dois modelos complementares. No outsourcing especializado, a empresa monta e gere equipes técnicas dedicadas aos projetos do cliente, com mapeamento prévio de competências, seleção técnica e acompanhamento contínuo da entrega. No modelo full service, assume projetos completos, do planejamento à execução, e responde pelo resultado. “Entregar currículo não basta. O que fazemos é montar e gerir equipes técnicas que respondem por um resultado dentro do projeto do cliente. Em boa parte da nossa carteira, assumimos o projeto inteiro, da primeira linha do planejamento até a entrega”, explica Monteiro.

Tiago Monteiro, CEO da LUZA / Divulgação

Na prática, a empresa oferece soluções em três frentes que se repetem nas grandes indústrias. A primeira é capacidade: projetos aprovados e com orçamento ganham equipe para sair do papel no prazo previsto. A segunda é especialização: a empresa acessa profissionais de disciplinas raras e disputadas sem precisar estruturar uma nova área interna. A terceira é velocidade: em aberturas de plantas, entradas em novos países ou lançamentos com prazo comprimido, a LUZA mobiliza o time certo dentro da janela de mercado. “O que a indústria procura hoje é a especialização certa, com as competências que o projeto exige, no momento em que ele precisa. Nosso trabalho é mobilizar essa competência e responder pela entrega”, resume o CEO.

A vertente de tecnologia é hoje uma das principais apostas do grupo. A LUZA atua em automação industrial, engenharia de processos, desenvolvimento de software, análise de dados, cibersegurança e soluções digitais para ambientes produtivos, além de projetos de Indústria 4.0 com IoT, automação avançada e analytics. A convergência entre engenharia e TI acompanha a transformação do mercado de trabalho: segundo pesquisa Ford/Datafolha, 31% das empresas apontam engenheiro de software como a vaga mais difícil de preencher no Brasil em 2026, e especialistas em inteligência artificial também estão no topo das posições mais disputadas. “A inteligência artificial não reduziu a demanda por profissionais técnicos. Elevou o nível exigido. Hoje, quem projeta um produto industrial precisa entender de dados e de software, e é exatamente nesse encontro que a LUZA trabalha”, afirma Monteiro.

No mundo, o movimento é de crescimento acelerado. Segundo a Mordor Intelligence, o mercado global de engineering services outsourcing deve somar US$ 164,7 bilhões em 2026 e chegar a US$ 312,6 bilhões em 2031, com crescimento médio de 13,7% ao ano. A mudança mais relevante é de natureza: os parceiros de engenharia e tecnologia passaram a atuar como extensão estratégica da área de pesquisa e desenvolvimento das empresas, e não mais como centro de corte de custos. “A pergunta do cliente mudou. Há dez anos, ele queria saber quanto ia economizar. Hoje, quer saber em quanto tempo o produto chega ao mercado”, diz o fundador.

É nesse cenário que o Brasil ganhou peso decisivo na estratégia da LUZA. Desde 2012, a operação brasileira cresceu até se tornar a principal base técnica do grupo, com equipes que atendem tanto a indústria nacional quanto projetos internacionais de alta complexidade, e certificações ISO 9001 e TISAX no Brasil e em Portugal, além do selo Great Place to Work no Brasil. Engenheiros e especialistas em tecnologia brasileiros participam de projetos globais sem precisar deixar o país, num movimento que inverte a lógica da fuga de cérebros. “O Brasil não é dependência, é decisão. Tem uma das maiores bases técnicas do mundo, formação reconhecida e fuso compatível com a Europa e a América do Norte. O profissional brasileiro não precisa sair do país para trabalhar num projeto europeu. Precisa de uma estrutura que o coloque lá dentro”, afirma Monteiro.

A expansão seguiu um roteiro consistente ao longo de duas décadas. Hoje, a carteira reúne mais de 100 clientes ativos em setores como mobilidade, energia, mineração, agronegócio, ciências da vida e tecnologia da informação, incluindo nomes como Stellantis, BMW, Ford, Unilever e Nexa. “A amplitude setorial não é dispersão. É o que nos permite levar uma solução que funcionou numa montadora para uma mineradora, ou de uma empresa de energia para uma farmacêutica, com o mesmo padrão de entrega em qualquer país”, explica o CEO.

O principal diferencial da LUZA está no ecossistema de quatro marcas que cobre todo o ciclo do talento técnico: formação pela LUZA Academy, atração e seleção pela Hito, execução de projetos de engenharia e tecnologia pela LUZA e relacionamento pela Casa Luzitana. Na prática, o modelo permite atender o cliente em várias frentes ao mesmo tempo e sustentar o crescimento sem depender apenas do mercado para formar os profissionais de que a indústria precisa. “Quando o mercado não forma o especialista que o projeto exige, nós formamos. O ecossistema é o que nos dá escala: conseguimos crescer junto com o cliente, em qualquer frente e em qualquer país”, afirma Monteiro.

Para marcar os 20 anos, a empresa lançou a campanha Conectores do Futuro, com o conceito “Talentos que constroem o amanhã”. A iniciativa começa com um selo comemorativo que representa movimento, evolução contínua e conexão, e se desdobra ao longo de 2026 em ações para colaboradores, clientes e parceiros. A proposta traduz o posicionamento da marca: conectar os melhores talentos aos desafios de engenharia e tecnologia das empresas. “Somos conectores. Ligamos talento a projeto, Portugal ao Brasil, engenharia à tecnologia. Os primeiros 20 anos foram para provar que uma empresa nascida no interior de Portugal podia competir com os grandes. Os próximos serão para mostrar que o Brasil pode ser uma das principais plataformas de engenharia e tecnologia do mundo”, projeta Monteiro.

Sobre a LUZA Group

Fundada em 2006, em Oliveira de Azeméis, Portugal, a LUZA Group é uma multinacional de engenharia e tecnologia que amplia a capacidade de execução de grandes empresas. Atua em dois modelos complementares: outsourcing especializado, com equipes técnicas dedicadas a projetos do cliente, e full service, assumindo projetos de ponta a ponta, do planejamento à entrega.

A companhia reúne cerca de 1.200 colaboradores, mais de 1.000 profissionais alocados em projetos de clientes e mais de 100 clientes ativos, em setores como mobilidade, tecnologia, energia, mineração e metais, ciências da vida e defesa. Atua em projetos em 9 países e tem escritórios próprios no Brasil, em Portugal e no México. Em 2025, registrou faturamento acima de €30 milhões.

Sobre Tiago Monteiro

Tiago Monteiro é fundador e CEO da LUZA Group, multinacional de engenharia e tecnologia com presença societária em 7 países. Engenheiro mecânico de formação, fundou a empresa em 2006, em Oliveira de Azeméis, Portugal, e conduziu a internacionalização que levou a operação ao México, ao Brasil, à Espanha e a Marrocos. Passou a viver no Brasil no fim dos anos 2012, onde estruturou a fase de maior crescimento da companhia. Ao longo de duas décadas, construiu sua atuação combinando conhecimento técnico de engenharia, visão de negócio e desenvolvimento de pessoas.