O paciente que usa canetas de GLP-1, conhecidas como canetas emagrecedoras, já mudou os hábitos de compra na farmácia, segundo a Drogaria Araujo. De janeiro a agosto de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, a venda de suplementos proteicos para ganho de massa aumentou 53% na empresa. A creatina avançou 40%, e os repositores hidroeletrolíticos 2.000%. Todas essas categorias cresceram acima da média no período.
Nas compras que incluem as canetas, os itens que mais aparecem na cesta de consumo são produtos para fortalecimento do cabelo e vitaminas. Cresceu também a procura por orientação farmacêutica. “O paciente em tratamento consome uma gama específica de produtos voltados à melhoria da saúde e à reposição de minerais perdidos no processo”, afirma Isabella Araujo Parreiras Gontijo, gerente comercial da Araujo.
Um estudo da NielsenIQ divulgado em abril mostra o mesmo movimento no país. Em 2026, oito dos dez produtos que mais faturam nas farmácias brasileiras são as canetas de GLP-1, presentes em 5% dos lares. Outros 26% dos consumidores dizem ter interesse em usá-las. Entre os lares dos usuários, 84,4% aumentaram o consumo de proteína animal e 76,9% reduziram ou cortaram chocolates e doces. Para Isabella, a indústria já percebeu a demanda e vem lançando mais produtos enriquecidos com proteína, alguns com selo na embalagem indicando suporte ao uso de GLP-1.
O medicamento imita o hormônio GLP-1, que retarda o esvaziamento do estômago e reduz o apetite. Com menos comida no prato, reduz também a ingestão de proteína, vitaminas, minerais e água. Náusea e constipação estão entre os efeitos colaterais mais frequentes, principalmente no começo do uso e quando a dose aumenta.
“Quando a perda de peso é acelerada pelo uso dos análogos de GLP-1 o corpo sente o impacto fisiológico imediato: intestino, massa muscular, cabelo e pele são os primeiros a reagir ao estresse metabólico. No balcão, as dúvidas mudam de acordo com a fase do tratamento. No início da aplicação, a principal queixa são os enjoos e o intestino preso. Com o avanço do emagrecimento, chegam as perguntas sobre queda de cabelo, flacidez e cansaço por conta do déficit calórico. Na manutenção, a grande preocupação passa a ser o controle metabólico para não voltar a engordar”, diz Hairton Guimarães, farmacêutico e consultor técnico da Araujo.
Os sete pilares
O mapa da Araujo organiza em sete frentes as queixas mais comuns de quem usa o medicamento e os produtos que podem ajudar em cada uma. Os percentuais comparam as vendas de janeiro a agosto de 2026 com o mesmo período de 2025.
1. Preservação de massa magra. Junto com a gordura, o corpo perde músculo, e a força diminui. O risco é maior a partir dos 60 anos, quando a sarcopenia avança com a idade. Proteína em quantidade adequada e treino de força ajudam a frear a perda. Além dos suplementos proteicos e da creatina, a venda de barras proteicas cresceu 45%.
2. Saúde digestiva. É o pilar do enjoo, da azia, dos gases e do intestino preso. Fibras, probióticos e alimentos funcionais ajudam a regular o intestino. Para os sintomas mais incômodos, há medicamentos isentos de prescrição, usados com orientação do farmacêutico. A busca por produtos para saúde intestinal aumentou 20%.
3. Antiqueda capilar. O fio de cabelo é formado por proteína e depende de ferro, zinco, biotina e vitaminas do complexo B, nutrientes que podem faltar com a alimentação reduzida. A queda, na maioria dos casos, é temporária. As unhas também enfraquecem. Produtos para queda e fortalecimento capilar avançaram 24%, e vitaminas e multivitamínicos, 20%.
4. Dermo e firmeza. A perda acelerada de gordura pode deixar a pele do corpo flácida e tirar volume do rosto, efeito apelidado de “rosto Ozempic”. A proteína da alimentação fornece os aminoácidos que o corpo usa para produzir colágeno, responsável pela sustentação da pele. Hidratantes e dermocosméticos anti-idade e firmadores completam o cuidado. Os dermocosméticos para firmeza, hidratação e elasticidade aumentaram 35%.
5. Hidratação e eletrólitos. Quem come menos também ingere menos água, já que parte dela vem dos alimentos, e o medicamento pode reduzir a sensação de sede. Náusea e vômitos, quando aparecem, aumentam a perda de líquido e de sais minerais como sódio e potássio. O paciente fica cansado e sem disposição, às vezes sem perceber que está desidratado. A compra de repositores hidroeletrolíticos superou as expectativas e a procura pelos isotônicos cresceu 38%.
6. Sono e ansiedade. A mudança na alimentação e na rotina pode atrapalhar o sono e deixar o paciente mais irritado e ansioso, e o estresse costuma aumentar a vontade de comer. Fitoterápicos e suplementos para o sono fazem parte desse cuidado, e a venda de produtos para o sono cresceu 46%.
7. Cuidados sensoriais. Com menos líquido no organismo, boca, lábios e olhos podem ressecar e se tornarem um incômodo diário. Lágrimas artificiais e hidratantes para rosto e lábios aliviam esse desconforto. A venda de produtos para secura ocular cresceu 16%.
O Serviço de Manipulação da Araujo também tem atendido mais pacientes em uso das canetas que precisam de suplementação. Mediante prescrição, o laboratório prepara fórmulas sob medida, com colágeno, creatina e vitaminas na dose e na combinação indicadas para cada caso, de acordo com o que o paciente precisa repor durante o tratamento.
“Muita gente leva proteína, fibra, colágeno e isotônico sem saber que tudo isso responde à mesma necessidade. Os sete pilares ajudam o cliente a encontrar o que precisa a partir da queixa que ele tem”, diz Isabella.
A orientação é que o uso das canetas e de qualquer suplemento seja acompanhado por um médico ou nutricionista, que avalia o que cada paciente precisa. Nas lojas, os farmacêuticos da Araujo estão à disposição para tirar dúvidas sobre uso, efeitos colaterais e interações.



