O setor de alimentação fora do lar mantém indicadores positivos no Triângulo Mineiro, apesar da pressão sobre custos, preços e fluxo de caixa. Pesquisa realizada pela Abrasel entre os dias 21 e 30 de setembro, com a participação de empresários do setor na região, mostra que 40% das empresas operaram com lucro em agosto, enquanto 42% indicaram estabilidade na situação financeira. Outros 18% relataram prejuízo.
O desempenho do faturamento também mostra movimentação no setor. Em agosto, 38% das empresas registraram aumento no faturamento em comparação com julho, enquanto 22% mantiveram estabilidade. Por outro lado, 38% apontaram queda no faturamento. A pesquisa registra ainda a observação de que 32 empresas não existiam em julho.
Na avaliação dos preços, 67% dos estabelecimentos realizaram reajustes conforme ou abaixo da inflação nos últimos 12 meses. Outros 2% reajustaram acima da inflação, enquanto 31% das empresas não conseguiram reajustar os preços no período.
Os dados mostram que, embora uma parcela significativa dos negócios tenha conseguido manter lucro, estabilidade financeira e crescimento de faturamento, o cenário exige atenção à relação entre custos, preços e capacidade de pagamento.
Endividamento
O levantamento também identificou que 28% das empresas têm pagamentos em atraso. Entre os principais débitos estão os impostos federais, mencionados por 88% dos empresários, seguidos pelos tributos estaduais, citados por 56%.
“Os dados mostram que o setor continua movimentando a economia e que uma parcela importante das empresas conseguiu operar com lucro e aumentar o faturamento. Ao mesmo tempo, os números de queda no faturamento, dificuldade de reajuste de preços e endividamento mostram que ainda existe uma pressão importante sobre os negócios. O desafio é preservar a atividade e, ao mesmo tempo, manter o equilíbrio financeiro das empresas”, afirma presidente da Abrasel no Triângulo Mineiro, Fábio Bertolucci.
Para ele, o empresário precisa encontrar um equilíbrio entre custos, preço e consumo. “Nem sempre é possível repassar todos os aumentos para o consumidor, porque existe também a preocupação com o poder de compra e com a manutenção do movimento. Quando parte desses custos é absorvida pela empresa, porém, a margem fica pressionada. Por isso, acompanhar os indicadores e trabalhar com planejamento financeiro é fundamental.”



